Ninkasi, a Deusa da Cerveja

Poucos sabem, mas a cerveja surgiu na Suméria e tinha muita relação com as mulheres. Essa civilização, que viveu durante o período dos anos 2000 e 4000 a.C. na área onde atualmente fica o Iraque, foi a primeira a descobrir a cerveja. A mitologia suméria conta que existe umadeusa da cerveja, chamada Ninkasi. Seu nome significa “a dama que enche nossas bocas”. Conforme a lenda, ela é filha da deusa-mãe Ninhursag. Ela foi uma das primeiras divindades inventadas pelo imaginário humano.

Ninkasi nasceu do fluxo de água brilhante e é responsável por todas as etapas de produção da cerveja cevada florida, pela mistura do malte com as especiarias e pelo condicionamento da cerveja no vasilhame. Em um tablete de saibro de aproximadamente 4 mil anos foi escrito umpoema sumério que presta homenagem para a deusa Ninkasi. Veja a tradução feita por arqueólogos:

LOUVOR À NINKASI

Nascida da água corrente
Delicadamente cuidada por Ninhursag
Nascida da água corrente
Delicadamente cuidada por Ninhursag

Tendo fundado sua cidade pelo lago sagrado
Ela rematou-a com grandes muralhas por você
Ninkasi, fundando sua cidade pelo lago sagrado
Ela rematou-a com grandes muralhas por você

Seu pai é Enki, Senhor Nidimmud
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado
Ninkasi, seu pai é Enki, Senhor Nidimmud
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado

Você é a única que maneja a massa com uma grande pá
Misturando em um poço o bappir com ervas aromáticas doces
Ninkasi, você é a única que maneja a massa com uma grande pá
Misturando em um poço o bappir com tâmaras ou mel

Você é a única que assa o bappir no grande forno
Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas
Ninkasi, Você é a única que assa o bappir no grande forno
Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas

Você é a única que rega o malte jogado pelo chão
Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos
Ninkasi, você é a única que rega o malte jogado pelo chão
Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos

Você é a única que embebe o malte em uma ânfora
As ondas surgem, as ondas caem
Ninkasi, você é a única que embebe o malte em uma ânfora
As ondas surgem, as ondas caem

Você é a única que estica a pasta assada em largas esteiras de palha
A frieza supera Ninkasi,
Você é a única que estica a pasta assada em largas esteiras de palha
A frieza supera

Você é a única que segura com ambas as mãos o magnífico e doce sumo
Fermentando-o com mel e vinho
(Você, o doce sumo para o eleito)
Ninkasi, (…)
(Você, o doce sumo para o eleito)

O barril filtrador, que faz um som agradável
Você ocupa apropriadamente o topo de um grande barril coletor
Ninkasi, o barril filtrador, que faz um som agradável
Você ocupa apropriadamente o topo de um grande barril coletor

Quando você despeja a cerveja filtrada do barril coletor
É como os barulhos dos cursos do Tigres e do Euphrates
Ninkasi, você é a única que despeja a cerveja filtrada do barril
coletor é como os barulhos dos cursos do Tigres e do Euphrates

Além de homenagear a deusa Ninkasi, o poema também se refere a uma receita de cerveja, explicando todo o processo de produção. Eram exclusivamente as mulheres que produziam a cerveja, na época. A bebida era vista como um alimento, devido aos seus nutrientes. Chegava a ser conhecida como “pão líquido”. Era mais saudável que a água, já que parte dos rios eram contaminados.

A partir da Revolução Industrial, a cerveja deixou de ser produzida em casa e passou a ser feita na indústria, e aos poucos, as mulheres deixaram de fazer cerveja em casa e o mercado foi ficando cada vez mais masculino.

Fonte: http://blog.beerplace.com.br/conheca-ninkasi-a-deusa-da-cerveja/

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